sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Assalto (no lado de fora) no Midway Mall

Ele pode parecer frágil quando o vemos pela primeira vez do lado de fora. Faltam cal, uma boa pintura e azulejos para ornamentar a parte externa. Ele também pode parecer alegre, com os painéis das grandes lojas e restaurantes, como a Riachuelo, a Centauro e o Burguer King; e também com os painéis daquelas pessoas (brancas) sorrindo. Tudo isso atrai os consumidores fúteis da cidade ou aqueles jovens, conhecidos como EMOS, que trajam roupas esdrúxulas e que usam maquiagens pesadas. Porém, é só dar dois passos para fora do shopping para notar a segregação social-econômica que o Midway promove. Foi o que eu pude perceber recentemente, meus caros leitores.

Kelly e eu estávamos saíndo do Midway Mall em direção à parada dos ônibus que partem para Zona Morte e para o Alecrim quando percebemos uma movimentação exacerbada em tal parada. Ocorria que uma vítima da desigualdade social brasileira estava assaltando uma pessoa que esperava um ônibus com uma "faca de serra", aquela que usamos para cortar o pão. O assalto ocorrreu no horário de pico, isto é, às 18 horas. Assim que descobrimos do que se tratava, Kelly e eu entramos imediatamente no shopping. Lá, os seguranças que são pagos pelo dinheiro dos consumidores desenfreados nos manteriam protegidos das conseqüências da má distribuição de renda do Brasil.
- Onde está a polícia? - Kelly me perguntou.
- Não sei. Ela já deveria estar aqui. Tem um posto da polícia a menos de 100 metros daqui. - respondi.

Enfim, a polícia só chegou em 10 minutos. Felizmente, "ninguém" se feriu e o objeto roubado foi devolvido ao dono. Quanto à vítima, bem...
Sabemos que, no Brasil, para as classes alta e média, tudo termina em pizza. E o Midway Mall tem uma praça de alimentação muito agradável e repleta de opções para os apreciadores dessa iguaria. A Pizzaria Reis Magos, as duas pizzas gigantes promocionais do Habibs e até mesmo a pizza que custa R$4,00 vendida no Extra, lá no primeiro piso, fora da praça. Porém, é surpreendente para mim dizer que o final da vítima tenha terminado em pizza, mesmo que esta pizza enchesse o corpo dessa mesma vítima com muito líquido vermelho: era uma pizza de porrada, cedida inteiramente de graça e em grande quantidade pelos policiais que a apreenderam minutos depois do fim do assalto.

Esse tipo de fome zero, tenho certeza, que os pobres não querem!

2 comentários:

Charton disse...

Natal está ficando banalizada!
Esses assaltos .. acontecem e ninguem faz nada!
E lá em Fortaleza que mataram uma mulher por causa do pão francês?

Eliiiis disse...

É, infelizmente, nos acostumamos com a violência... muitas vezes até estranhamos quando não acontece nada.
O que resta pra quem quer mudar, ou tentar mudar, é salvar a humanidade, porque o mundo sobrevive sem nós, mas nós, sem ele... será?
Do que adianta estudar possibilidade de vida em marte? acaso vamos nos mudar para lá?
É futuro repórter gostosinho, você tem um lindo e dificil trabalho pela frente.
Tenho certeza de que você consegue.